A Privacidade e a Segurança nas Redes Sociais
Feb 6th
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Depois de uma época em que a World Wide Web em que os utilizadores da mesma eram simples consumidores da informação que era disponibilizada on-line, e em que este canal de comunicação era na sua essência unidireccional, assistimos hoje a uma nova realidade.
- 46% dos utilizadores do FB aceitam pedidos de amizade de estranhos;
- 89% dos utilizadores da faixa etária dos 20 divulgam a sua data de aniversário;
- quase 100% dos utilizadores divulgam o seu endereço de email;
- entre 30-40% dos utilizadores listam dados sobre a sua família e amigos.
Recomenda-se a utilização das redes sociais de uma forma racional, e acima de tudo perceber quais os dados a partilhar e que tipos de conteúdos disponibilizar e para quem. Um conjunto simples de indicações pode melhorar em muito a privacidade dos utilizadores e reduzir o risco de exposição ao algumas das possíveis ameaças. Estas indicações [3][4] podem ser resumidas no seguinte:
- Usar correctamente as listas de amigos;
- Remover-se dos resultados de pesquisa do Facebook;
- Evitar o tagging em fotos e vídeos (o que pode ser embaraçoso);
- Proteger os seus álbuns de fotografias;
- Evitar que as histórias apareçam no feed de news dos seus amigos;
- Proteger-se contra histórias publicadas por outras aplicações;
- Tornar a sua informação de contacto privada;
- Evitar Wall posts que possam ser embaraçosos;
- Tornar as suas relações privadas;
No entanto as ameaças não estão resumidas à privacidade dos utilizadores. As ameaças que populam as redes sociais, em particular as de maior dimensões, são cada vez mais perigosas. Uma das ameaças mais recentes no Facebook é uma aplicação misteriosa que está a afectar os utilizadores [7]. Os utilizadores estão a ser solicitados por outros utilizadores a instalarem uma aplicação chamada “Unnamed App”. A Sophos já identificou esta ameaça como sendo Mal/FakeVirPk-A.
Figura 2. Alguns dos utilizadores mais activos no Facebook são muitas vezes confrontados com aplicações estranhas que podem ter comportamentos completamente diferentes do esperado
Figura 3. Inclusive podem enviar “chat requests“ com links para sites que podem conter software malicioso
Figura 4. Notificações dessas mesmas aplicações que não são mais do que pedidos “encapuçados” para levar o utilizador para outros sites na Internet
Figura 5. Alguns desses pedidos servem para bombardear os utilizadores com publicidade não solicitada
No passado ano de 2009 foram duas as principais ameaças que afectaram as principais redes sociais e que estiveram na origem de inúmeros problemas. Uma destas ameaças deu pelo nome de Koobface (um anagrama da palavra Facebook), e que é um worm que ataca directamente os utilizadores de redes sociais como o Facebook, MySpace, hi5, Bebo, Friendster, e Twitter. O Koobface tenta, após infectar o sistema do utilizador, vai tentar obter informação diversa do utilizador, tal como números de cartão de crédito.
O Koobface espalha-se através do envio de mensagens do Facebook a pessoas que são “amigas” de um utilizador Facebook que tenha sido previamente infectado. Depois de recebida, a mensagem direcciona o receptora para um site de Web, em que os utilizadores são levados a pensar na existência de uma actualização de uma versão recente do software Flash. Se descarregarem e instalarem este ficheiro, os utilizadores ficam igualmente infectados com o Koobface, passando a estar sob o controlo do mesmo e passando a infectar mais utilizadores. Um sistema infectado com o Koobface possui instalado os seguintes componentes [9]:
- Componente que permite descarregar mais software Koobface da Internet sem o utilizador se aperceber;
- Componente de propagação para outras redes sociais;
- Componente servidor Web;
- Componente de instalação de um antivírus falso;
- Componente que quebra CAPTCHA;
- Componente para roubar informação;
- Componente modificador de informação de DNS;
- E outros.
O Koobface é um worm tão sofisticado que é capaz de, entre outras coisas:
- Registar uma conta no Facebook;
- Activar essa mesma conta através da confirmação do email enviado para uma conta do Gmail;
- Fazer-se amigo de várias pessoas na rede social;
- Juntar-se a múltiplos grupos no Facebook;
- E colocar posts na Wall de “amigos” com mensagens com links para sites ou para vídeos que são fontes de distribuição de malware;
- Inteligente ao ponto de não adicionar muitos amigos por dia, para não chamar as atenções para si próprio.
A segunda grande ameaça identificada nas redes sociais foi o worm “stalkdaily” criado por um jovem de 17 anos chamado Mikeyy Mooney. Este worm lançou o pânico no Twitter, enviando mensagens aos utilizadores para visitarem site stalkdaily.com que infectava o perfil do visitante que tivesse uma conta de Twitter associada.
As redes sociais (principalmente o Facebook e o Twitter) tornaram-se assim meios preferenciais para lançar diversos tipo de ataques: phishing, malware, roubo de dados e de identidade, stalking, entre outros. Estes atacam não apenas a ingenuidade dos utilizadores, mas igualmente a própria infra-estrutura onde assentam estas redes sociais, em que as mesmas não são completamente imunes a problemas de segurança, e são susceptíveis a algumas das vulnerabilidades apontadas por organizações como a OWASP (através do OWASP Top 10) e como tal podem ser explorados por atacantes determinados. Aplicações como o Facebook (ou as micro-aplicações dentro do próprio Facebook) são reconhecidamente vulneráveis a alguns tipos de vulnerabilidades, como Cross Side Scripting (XSS) e Cross Site Request Forgery (CSRF).
Mas as ameaças à privacidade dos utilizadores na Internet. O próprio gigante Google está hoje a tornar-se uma séria ameaça à privacidade dos utilizadores. A quantidade de serviços que o Google oferece aos utilizadores (motor de busca, Youtube, Adesense, Adwords, Blogger, DNS, URL shortner, e muitos outros) viram tornar a Google numa empresa com características muito especiais. Nunca antes na história, tanta informação (muita dela pessoal) esteve nas mãos de uma única entidade privada. Quais os perigos que isto pode representar em termos de privacidade para os muitos milhões de utilizadores que usam os serviços/produtos da Google? Fala-se muito do monopólio da Microsoft, mas o verdadeiro monopolista da informação é o Google.
Foi referido que o recente ataque levado a cabo por hackers chineses ao Google (Gmail) assim como a outras empresas norte-americanas e europeias, só ter sido possível porque a Google colocou um backdoor no Gmail para poder ser acedido pelo Governo norte-americano (foi por aí que os atacantes conseguiram entrar)[1][2]. Este backdoor, a confirmar-se, diz muito sobre as intenções da Google, e sobre a forma como a nossa informação é processada pela empresa.
No caso das redes sociais, aqui ficam algumas recomendações sobre privacidade/segurança em redes sociais. Nem todas se aplicam em todos os casos, mas aqui ficam alguns desses mesmos conselhos:
- Se usar um sistema operativo Windows, deve usar um antivírus, que consiga detectar ameaças na Web e que funcione igualmente como firewall e anti-spyware;
- Cuidado com a informação que partilha e com quem assim como com os conteúdos que coloca nas redes sociais
- Reveja as politicas de partilhas e âmbito das mesmas no Facebook;
- Nunca revelar informação pessoal (detalhes de morada, etc.) ou de negócio através de redes sociais;
- Cuidado com fotos e outros conteúdos que se colocam nas redes sociais – o que é giro hoje pode ser comprometedor no futuro;
- Desconfiar sempre dos links e outras mensagens que sejam partilhados por “amigos” conhecidos e desconhecidos;
- Isto é particularmente difícil, pois os serviços de redução das URL escondem os detalhes da URL original.
- Não instalar discriminadamente aplicações no Facebook, sem saber do que se trata primeiro. Nunca, mas mesmo nunca instalar aplicações desconhecidas!
- Em resumo: usar as redes sociais **SIM**, mas com **RESPONSABILIDADE**!
[1] Alvy/Microsiervos, “China vs. Google: los atacantes aprovecharon una “puerta trasera” en GMail pensada para el gobierno americano”, lainformacion.com, 25 Janeiro 2010, http://noticias.lainformacion.com/arte-cultura-y-espectaculos/internet/china-vs-google-los-atacantes-aprovecharon-una-puerta-trasera-en-gmail-pensada-para-el-gobierno-americano_xYmT4AxRsa69E4HY9LmKr/
[2] Bruce Schneier, “U.S. enables Chinese hacking of Google”, CNN, 23 Janeiro 2010, http://edition.cnn.com/2010/OPINION/01/23/schneier.google.hacking/index.html
[3] Nick O’Neill, “10 Privacy Settings Every Facebook User Should Know”, Fevereiro 2009, http://www.allfacebook.com/2009/02/facebook-privacy/
[4] SARAH PEREZ, “The 3 Facebook Settings Every User Should Check Now”, The New York Times, Janeiro 2010, http://www.nytimes.com/external/readwriteweb/2010/01/20/20readwriteweb-the-3-facebook-settings-every-user-should-c-29287.html?em
[5] Kevin Bankston, “Facebook’s New Privacy Changes: The Good, The Bad, and The Ugly”, EFF, Dezembro 2009, http://www.eff.org/deeplinks/2009/12/facebooks-new-privacy-changes-good-bad-and-ugly
[6] Marshall Kirkpatrick, “Privacy, Facebook and the Future of the Internet”, Read Write Web, Janeiro 2010, http://www.readwriteweb.com/archives/privacy_facebook_and_the_future_of_the_internet.php
[7] David Neal, “Mystery app plagues Facebook users”, Yahoo! News, Janeiro 2010, http://uk.news.yahoo.com/16/20100128/ttc-mystery-app-plagues-facebook-users-6315470.html
[8] Michael Evans, “Wife of Sir John Sawers, the future head of MI6, in Facebook security alert”, Times Online, July 2009, http://technology.timesonline.co.uk/tol/news/tech_and_web/article6644199.ece
[9] Jonell Baltazar, Joey Costoya, and Ryan Flores, “The Real Face of KOOBFACE: The Largest Web 2.0 Botnet Explained”, Trend Micro Threat Research, 2009, http://us.trendmicro.com/imperia/md/content/us/trendwatch/researchandanalysis/the_real_face_of_koobface_jul2009.pdf
[10] Lidija Davis, “StalkDaily: A New Twitter Virus on the Loose?”, ReadWriteWeb, 2009, http://www.readwriteweb.com/archives/stalkdaily_a_new_twitter_virus_on_the_loose.php
[11] Sophos, “Security Threat Report:2010”, Sophos, 2010, http://www.sophos.com/sophos/docs/eng/papers/sophos-security-threat-report-jan-2010-wpna.pdf
10 principais técnicas de hacking da Web
Jan 22nd
Jeremiah Grossman é o fundador e o CTO da WhiteHat Security, uma empresa responsável por fazer avaliações de risco em sites web e na identificação e correcção de vulnerabilidades nos mesmos. No seu blog, Jeremiah apresentou recentemente dois posts (aqui e aqui) que resumem claramente a actividade em termos de segurança de informação das passadas duas semanas.
Para além desses dois excelentes resumos, o que me despertou mais a atenção no blog do Jeremiah foi a sua listagem que descreve as 10 principais técnicas de hacking da Web – através de apresentações ou de artigos. Tomei a liberdade de reproduzir essa mesma listagem aqui, em português:
- Criação de certificado forjado de CA: uma vulnerabilidade encontrada na actual infra-estrutura de PKI que permite forjar um certificado de uma CA, e com isso gerar certificados digitais forjados para uma série de sites, com o intuito de emitar outros legítimos. Este ataque/vulnerabilidade baseia-se numa fraqueza encontrada na função de hash MD5;
- Poluição de parâmetros HTTP (HPP): este tipo de ataques ocorrem com a possibilidade de ultrapassar ou injectar parâmetros HTTPS POST/GET através da injecção de delimitadores de cadeias de caracteres. Esta vulnerabilidade pode ser usada para ataques do lado do cliente ou do servidor;
- Vulnerabilidade da API do Flickr que permite forjar assinaturas (ataque à extensão MD5): uma vulnerabilidade encontrada na API do Flickr com a chave que permite gerar as assinaturas necessárias para a autenticação das aplicações externas que usam a API do Flickr. Esta vulnerabilidade permite que um utilizador possa gerar assinaturas válidas sem conhecer a parte secreta de uma chave;
- Pesquisa intra-domínios temporizada: um ataque de timing (de temporização) é um ataque em que um atacante tenta comprometer um sistema analisando o tempo que demorar uma determinada operação a ser realizada;
- DoS HTTP Slowloris: o Slowloris é um ataque de DoS HTTP que se aproveita do facto de que é possível manter uma sessão HTTP aberta indefinidamente e de se poder repetir esse mesmo processo por diversas vezes;
- Vulnerabilidade 0-day no parsing de ficheiros do IIS: esta vulnerabilidade surge(ia) pelo facto do ISS executar código ignorando a interpretação de um ‘;’. Por exemplo o script “malicioso.asp;.jpg” seria executado (o ASP) uma vez que o IIS ignorava o ‘;’ e considerava o ficheiro como sendo uma imagem JPEG;
- Explotar XSS inexplorado: mais um conjunto métodos para explorar vulnerabilidades do tipo XSS;
- Os filtros XSS favoritos e como atacá-los
- Problemas de segurança na cache RFC1918: explorar os mecanismos de mapeamento de cache desse mapeamento na Internet, em especial nos endereços IP não-públicos que são passíveis de “routear”;
- Rebinding to DNS: este tipo está divido em três partes distintas, cookies persistentes, scraping e spamming e fixação de sessões.
PGP cracking, vulnerabilidade Linux, estatísticas, Gumblar e mais algumas coisas
Nov 4th
Como não tem havido muito tempo para escrever muitas coisas, aqui fica um pequeno apanhado de algumas das notícias relacionadas com segurança de informação nos dias que passaram.
Usar cloud computing para quebrar o PGP
O Cloud Computing tem vindo a permitir alguns projectos interessantes, que não teriam sido tentados anteriormente sem o barato, flexível, disponível e simples acesso que permite liberar o poder de computação que “nuvem” proporciona.
Uns tipos resolveram aproveitar o poder computacional proporcionado pela cloud (Amazon EC2) e resolveram montar um projecto para quebrar as palavras-passe PGP dos ficheiros ZIP. Para isso usaram parte do software da Elcomsoft Distributed Password Recovery. O software a correr num computador dual core com Windows 7 iria demorar cerca de 2100 dias para quebrar as palavras-passe num ataque de força bruta. O objectivo é reduzir este número para um valor bastante mais aceitável…
Interessante.
Vulnerabilidade no Kernel Linux
Foi descoberta uma vulnerabilidade no kernel Linux que afecta a maioria das versões do Linux e que pode permitir que utilizadores não confiáveis possam conseguir o controlo completo sobre o sistema operativo open-source.
Esta vulnerabilidade foi apenas corrigida na próxima release candidate 2.6.32 do kernel do Linux, fazendo com que praticamente todas as versões de produção em utilização estejam neste momento vulneráveis.
Mais detalhes podem ser obtidos aqui.
Relatório de estatísticas de vulnerabilidades Web
O Web Application Security Consortium (WASC) publicou o WASC Web Application Security Statistics Project 2008. Os objectivos deste projecto eram os seguintes:
- Identificar a prevalência e a probabilidade das diferentes classes de vulnerabilidades;
- Comparar as metodologias de testes com os tipos de vulnerabilidades que as mesmas seriam capazes de identificar.
Ao que parece, o Gumblar está de regresso. O Gumblar infecta sites de web vulneráveis como forma de comprometer PCs que estejam igualmente vulneráveis.
Recentemente, foram encontrados milhares de sites em que havia sido colocado um IFRAME, como forma de colocar conteúdo de um site num outro. Este IFRAME redireccionava o tráfego para o domínio gumblar.cn. O Gumblar tentava então explorar o computador do utilizador através de vulnerabilidades encontradas em software da Adobe Systems em produtos como o Flash ou o Acrobat Reader e em seguida distribuir o seu código malicioso.
Mais informações sobre esta perigosa ameaça podem ser encontradas neste artigo.
Anti-XSS Library 3.1
Oct 14th
A Microsoft Information Security lançou uma nova versão da sua ferramenta Anti-XSS, a Anti-XSS Library 3.1. Neste site é possível encontrar não apenas o anúncio do lançamento da ferramenta, mas igualmente uma apresentação em que é demonstrada a utilização da mesma.
- O que é um ataque de XSS – Cross-Site Scripting
- Como detectar vulnerabilidades de XSS;
- Introdução à Anti-XSS Library
- O que há de nova nesta nova versão da Anti-XSS Library
- Demonstração da Anti-XSS Library 3.1
- Apresentação do Security Runtime Engine (SRE)
- Demonstração do SRE.


